30.6.12

Planos para o fim-de-semana

Diz que há lá uma pessoas que põem coisas bonitas no papel.



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PS: por falar em pôr coisas no papel... ó eu, na maravilhosa Oficina do Cego.

28.6.12

Por que escrevo

Subscrevemos os mesmos sites, de certeza, porque eu ia fazer um post com isto e o autor do blogue Malomil antecipou-se. Ora espreitem.

Giro, não é? 

Conheço bem o Por que escrevo e outros ensaios, publicado entre nós pela Antígona, e os outros timeless insights on writing. O que este texto da Atlantic me lembrou foi de uma coisa extraordinária (para mim, claro): que não tenho motivo para escrever. Além de uma vaga necessidade de «pôr cá para fora» (vulgar, eu sei) como quem tem de vomitar de vez em quando* (desculpem-me, leitores mais sensíveis), de desenrolar uma meada interna, e do prazer de descobrir coisas que não sabia que tinha cá dentro, de ver as rodas dentadas a mexerem sozinhas, não há nada que justifique esta coisa de pôr as mãos à obra.

No ego, no beauty, no purpose. Não o faço para mostrar, não o faço para mudar o mundo, não me delicio com o fôlego estético do que gero, nem, pelo menos de momento, tenho um patamar imposto a que chegar. Talvez por isso saiba tão bem.

Se tivesse um objectivo, isso podia acabar com a graça. Numa vida de prazos, orçamentos, correcções, comparações, grelhas, burocracia, actas e pastilhas que tais, ler e escrever sem rumo são coitos. Aqui não vale, ninguém me apanha, as regras não se aplicam. No jogo do mundo**, às vezes sabe bem não participar.

Que eu saiba, não escrevo por nada, para nada, escrevo porque escrevo. Pode ser que isso mude, pode ser que não. E não saber por que escrevo é em boa parte motivação para escrever.
Se um dia descobrir uma razão concreta, aviso. Mas espero continuar na ignorância.

Tantos conselhos, tantas regras, tantas opiniões. Gosto muito, mas não me adapto a metade, se tanto. Para todas as perguntas que me fizerem acerca da escrita, a resposta será quase sempre «não sei», ou então formulada de improviso. Quando começo a achar alguma coisa, no dia seguinte desengano-me. Não escrevo escrevo; invento uma coisas, sem saber para onde vou. 

Isto tira valor ao que faço? Adivinhem a resposta: não sei. Acho que não, mas não estou interessada em saber; porque não importa.


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No fim de tantos conselhos sábios de tantos veneráveis, há ainda espaço para as minhas duas únicas humildes achegas, que nunca li em lado algum.
Gente que escreve ou pensa em escrever: tenham a coragem de não saber (quer queiram saber ou não) e a coragem de pôr os pés ao caminho apesar de não saberem.


* Coelhinhos de Cortázar. :)
** Segunda referência involuntária a Cortázar.

26.6.12

Fifty Shades of qualquer coisa

Para quem ainda não sabe, o livro Fifty Shades of Gray é uma obra de fanfiction com base universo Crepúsculo (sim, aquele dos vampiros). Apresenta-se como literatura erótica e chegou aos tops de vendas, muito graças ao anonimado que o download de livros electrónicos permite. 
Não li, nem preciso; esta crítica chega e sobra para me esclarecer e fazer chorar de tanto rir. Mas, entretanto, ficam algumas questões no ar: Será a fanfiction legítima? Até que ponto se pode reciclar uma receita?


21.6.12

Imaginário

Ben West e Felix Heyes acabam de lançar o Google Book, um dicionário de imagens. Pegaram nas 21 000 palavras de um dicionário, pesquisaram imagens no Google e «dicionarizaram» a primeira que apareceu. Eis o resultado:



Definitivamente, ceci n'est pas un e-book.

Podem ler mais sobre o assunto aqui

PS: Gosto especialmente da capa.

20.6.12

π-ssoa

Pessoa é infinito. Dá para tudo e para todos. O de Cavalcanti, além de poeta, é vaidoso, caloteiro, inventor dos matraquilhos (?!) e provavelmente gay
Depois desta entrevista, fiquei curiosa: saberia o brasileiro bonacheirão do que falava? O que é verdade e o que é invenção? Não corri para a livraria porque a ideia de alguém se aventurar, ao longo de 700 páginas, a imitar o estilo de Pessoa (as if) me deixou com fastio logo ali. Aguarde-se pela crítica, nesse caso. E ela chegou. Nas linhas que imaginei, mas muito mais demolidora do que poderia supor, Teresa Rita Lopes arrasa o livro, e o autor (ou co-autor?, cristo!), numa penada.
Eis o texto, que merece leitura integral: Incompreender Pessoa
Hoje, o Ípsilon, suplemento onde saiu a crítica de TRL, anuncia no seu Facebook que Cavalcanti terá espaço para uma carta-resposta na próxima edição em papel. 

São coisas destas que vendem jornais. Intelectual de mão na anca põe tudo a ler. Haja coragem de lavar a roupagem em praça pública, desde que se o faça com graça. Venham as polémicas! De preferência com elevação, mas se for mais pedestre o povo também não reclama. O que é preciso é mexer, debater e ter opinião. Eu sou team TRL, mas estou desejosa que me contradigam.


Cronologia:
5 de Abril - Blogue «Um Fernando Pessoa» faz uma apreciação crítica do livro (a meu ver, equilibrada).
20 de Abril - O autor é entrevistado pelo Sol.
26 de Abril - O livro é apresentado na Casa Fernando Pessoa.
4 de Maio -  Teresa Rita Lopes psicografa uma carta de Álvaro de Campos sobre a biografia.
6 de Maio - É emitida a entrevista ao autor na TVI24.
9 de Maio - O autor responde à carta de TRL.
25 de Maio - TRL publica a sua crítica no Ípsilon.
31 de Maio - Nova carta psicografada por TRL.
16 de Junho - Richard Zenith divulga no suplemento Q informações importantes.
16 de Junho - TRL, no DN, tem novo texto sobre o assunto.
22 de Junho - Sairá carta do autor no Ípsilon. Aguardemos.

19.6.12

Working class hero

Senhoras e senhores, a isto se deve o meu silêncio:


Acabei agora uma tradução grande e espero, finalmente, começar a pôr leituras e escrituras em dia.*

*Vou rabiscando umas coisas neste blogue, ligado à Com Texto (ainda que noutro registo).