18.11.11

Crises

Há dez anos era assim:

Fala-se de crise da edição portuguesa e, pela primeira vez nos últimos dez anos, quase abertamente. Um inquérito recente aos editores, publicado no Jornal de Letras a esse propósito, dá bem a ideia de que existem razões para temer as consequências destes tempos, já que o futuro é sempre optimista. Há dados que convém ter em atenção: cento e cinquenta livrarias encerraram as suas portas desde o início de 1991 até aos últimos meses do ano; o número médio de venda de cada título posto à disposição dos leitores portugueses baixou consideravelmente no mesmo período, acelerando uma tendência que já se registava desde há alguns tempos; alguns editores tomaram medidas que evidenciam uma disposição clara de desinvestir, e outros preparam-nas. Nada que não tenha acontecido em sectores diversos da vida económica portuguesa, com a diferença óbvia de, nestes casos, existir uma preocupação do Estado no sentido de possibilitar saídas para as crises que se manifestaram ou manifestam.
No caso da edição, a  situação é bem diferente. O Estado português faz aprovar um Acordo Ortográfico sem ter em conta a opinião dos editores portugueses, manifestamente contrária; uma lei como a do preço fixo, que pode vir a revelar-se disciplinadora do mercado livreiro tarda em ser discutida e publicada. Exemplos colhidos de entre aqueles que convém ter em mente no início de 1992 e da adesão plena de Portugal à CEE, como reza o lugar-comum.
A vida em geral não é simples, mas a vida da edição, essa torna-se cada vez mais perigosa.

Francisco José Viegas, no editorial da Ler n.º 17, em 1992.

8.11.11

Nota

Não cheguei a terminar a minha tradução do texto Words, de Tony Judt, mas em O Chalet da Memória, que acaba de ser lançado por Edições 70, esta e outras pérolas estão lá, cada uma mais lúcida e comovente do que a anterior.

3.11.11

Offshore em bom

Até há pouco tempo, nunca tinha ouvido falar desta aventura. São os GBA Ships, começaram em 1970 e vão no quarto navio. Logos foi o primeiro e atracou em Lisboa duas vezes (76 e 84). Diz quem lá foi que a novidade era completa e que os livros a bordo, numa espécie de feira flutuante, eram baratíssimos.
O objectivo da organização é levar ajuda e conhecimento a quem mais precisa. Segundo o site oficial (e não é difícil acreditar), estas feiras são, para muitos, a primeira oportunidade de comprar boa literatura e muitas pessoas sem meios para estudar puderam aprender e, consequentemente, melhorar as suas vidas através destes livros.

- 6000 títulos disponíveis, incluindo livros escolares e especializados;
- 40 milhões de pessoas a bordo desde 1970;
- Mais de 160 países e territórios visitados;
- 1400 aportagens.

É obra.

Para saber mais e, quiçá, contribuir: www.gbaships.org.

Obrigada pela história, P.!